Confesso que não esperava muito de Punta Cana. Para mim, a República Dominicana era aquele destino de catálogo, feito de pulseiras de plástico, buffets infinitos e turistas a beber cocktails de cores duvidosas dentro de piscinas. Ia convencido de que ia passar 48 horas a contar azulejos. Enganei-me redondamente.
O que encontrei foi uma energia que o marketing das agências de massas costuma ignorar. Há uma Punta Cana fora dos muros do resort que cheira a café fresco, tem o azul mais elétrico que já vi e pessoas que genuinamente gostam de receber. Se está a planear as suas próximas férias, espreite este guia sobre os melhores lugares nas tipoíbas antes de decidir o seu destino final.
Playa Bávaro: Onde o Cliché ganha o direito de existir
Chegar a Playa Bávaro é o primeiro choque. É a praia que aparece em todos os postais e, por uma vez, a realidade não fica atrás do Photoshop. A areia é tão fina que parece farinha e a temperatura da água é aquele abraço morno que nos faz esquecer o inverno em Portugal. No entanto, o segredo para aproveitar isto não é ficar parado na espreguiçadeira do hotel.
Caminhe para norte, em direção a El Cortecito. É aqui que a bolha turística rebenta e começamos a ver os pequenos bares de madeira, onde o peixe frito é servido em pratos de plástico e a música alta não é para entreter estrangeiros — é o ritmo natural da vida local. Se quer sentir o pulso à região, este é o ponto de partida ideal.
Dica de Viajante: Se encontrar sargaço (aquelas algas castanhas chatas), não desespere. Basta caminhar 500 metros para o lado ou perguntar aos locais onde a corrente está limpa; a geografia da costa muda o cenário em minutos.
Ao final da tarde, a luz em Bávaro torna-se dourada. É o momento perfeito para um mergulho sem protetor solar e sem pressas. Esqueça o bar do hotel por uma hora e procure um quiosque de praia gerido por locais para provar uma Presidente bem gelada. É a cerveja nacional e, garanto-lhe, sabe melhor com os pés na areia do que em qualquer lounge sofisticado.
Ilha Saona: Como fugir à “excursão de gado”
Toda a gente lhe vai tentar vender o tour à Ilha Saona. E deve ir, mas com condições. A maioria dos barcos leva 50 pessoas com música ensurdecedora e rum barato. Para 48 horas que realmente contam, opte por um barco privado ou um grupo pequeno que saia cedo, bem antes da horda de catamarãs. Na Norte Viagens, privilegiamos sempre este tipo de experiências personalizadas para evitar as multidões.
A paragem na “Piscina Natural” a meio do caminho é obrigatória. É um banco de areia no meio do oceano onde a água nos dá pela cintura e as estrelas-do-mar gigantes descansam no fundo. Por favor, não as tire da água para a fotografia; a natureza agradece e a sua consciência também. É um dos lugares mais surreais das tipoíbas, onde o horizonte se confunde com o céu.
Dica de Viajante: Peça ao seu guia para almoçar em Mano Juan, a única vila habitada na ilha. O peixe grelhado ali é pescado no próprio dia e o ambiente é de uma paz absoluta, longe das áreas de buffet turístico.
Saona faz parte do Parque Nacional do Cotubanamá, uma área protegida que guarda segredos da cultura Taíno. Ver a linha da costa intocada, sem hotéis ou betão, é o lembrete de que a República Dominicana é muito mais do que imobiliário turístico. É um ecossistema vivo que merece ser respeitado segundo as diretrizes da autoridade de turismo oficial.
Hoyo Azul e o Interior: O azul que parece mentira
Se acha que já viu todos os tons de azul em Saona, espere até chegar ao Hoyo Azul. Localizado dentro do Scape Park, este cenote é uma piscina natural no fundo de uma falésia de calcário com 75 metros de altura. A água tem uma tonalidade de cobalto tão intensa que parece que alguém despejou tinta lá dentro. É o sítio perfeito para limpar o sal do corpo e sentir a frescura da selva.
Se tiver tempo, fale com a equipa da Norte Viagens para incluir uma visita rápida a uma plantação de café ou cacau. É nestas pequenas quintas do interior que percebemos a riqueza do solo dominicano. O chocolate artesanal que eles produzem ali, muitas vezes misturado com especiarias locais, é uma das melhores coisas que vai provar nesta viagem. Se está a planear as férias para o futuro, use a nossa Calculadora de Férias 2026 para organizar o seu orçamento com antecedência.
Dica de Viajante: Leve repelente de insetos forte para o Hoyo Azul. A humidade da selva atrai mosquitos que não têm piedade de pele europeia desprotegida.
A viagem até ao interior também permite ver a vida real: as casas coloridas, as crianças a jogar basebol (o desporto rei aqui) e o ritmo pausado de quem não vive em função do relógio. É este contraste que torna Punta Cana interessante. De manhã está num resort de cinco estrelas, à tarde está a ver como se seca o café ao sol numa aldeia remota.
Gastronomia e Noite: Além do Buffet de Pequeno-Almoço
Não saia de Punta Cana sem provar Mofongo. É um prato feito de bananas verdes fritas e esmagadas com alho e torresmos, servido com carne ou marisco. É pesado, é calórico e é absolutamente divinal. Procure restaurantes em Cabeza de Toro para uma experiência mais autêntica e menos plastificada do que a oferta dos hotéis.
Quanto à noite, se quiser fugir ao óbvio Coco Bongo (que é divertido, mas pode ser claustrofóbico), procure bares em Punta Cana Village. É uma zona mais cosmopolita, frequentada por expatriados e locais, onde pode beber um rum Añejo de qualidade enquanto ouve música ao vivo sem a pressão das coreografias de hotel. É aqui que se sente a verdadeira hospitalidade dominicana que tanto valorizamos na nossa história enquanto agência.
Dica de Viajante: O rum local é excelente, mas o Mamajuana é a verdadeira experiência. É uma bebida feita de cascas de árvores, ervas, vinho tinto, mel e rum. Dizem que cura tudo, mas beba com moderação porque engana.
Para quem viaja em família ou procura segurança total, Punta Cana é imbatível. Mas não deixe que a segurança se transforme em tédio. 48 horas são suficientes para perceber que este destino tem camadas. Entre o luxo do resort e a simplicidade da selva, há um equilíbrio perfeito que só descobrimos quando decidimos sair da zona de conforto.
Perguntas Frequentes sobre Punta Cana
Qual é a melhor altura para visitar?
A época seca, entre dezembro e abril, garante dias de sol e humidade baixa. No entanto, os preços são mais competitivos em maio e junho, quando o tempo ainda é muito agradável.
É seguro sair do resort?
Sim, é perfeitamente seguro durante o dia. Use táxis oficiais ou transfers organizados. Como em qualquer lado, evite ostentar objetos de valor em zonas isoladas à noite.
Preciso de visto para a República Dominicana?
Cidadãos portugueses não precisam de visto para estadias turísticas, mas é obrigatório preencher o formulário eletrónico (E-ticket) de entrada e saída do país.
Posso usar Euros ou Dólares?
O Dólar Americano é amplamente aceite em todo o lado. O Euro também, mas a taxa de conversão raramente é favorável. Para pequenas compras locais, ter alguns Pesos Dominicanos ajuda bastante.
No final destas 48 horas, percebi que o meu preconceito estava errado. Punta Cana não é apenas um destino de descanso passivo; é o que nós quisermos fazer dele. Se procura uma viagem desenhada à sua medida, com o apoio de quem conhece os cantos à casa, peça já o seu orçamento à nossa equipa. Estamos prontos para transformar este cliché no seu próximo paraíso real.

